quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Coração.

Dentro de uma invisível prisão
Sangra um invisível coração
Com suas asas cortadas,
E vontades encarceradas

Nessa invisível masmorra
Por toda a eternidade
Torcerá para que não morra
Invisível liberdade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Efêmero.

Ela olha pela janela
É o tempo que vai passando
Os anos, se completando
Ah meu Deus, e haja vela!

Já somam agora mais de vinte,
Não sabe se outonos ou primaveras
Só sabe que não mais voltam
As estações vividas por ela.

Poente.

Entrelaçando notas
Vamos seguindo juntos
Traçando nossas rotas
Por qualquer lugar do mundo

Nossa individualidade
Não é mais tão relevante
A soma das duas partes
É bem mais interessante

Abre agora tua janela
Vê o azul que te envolve
E me encontras nessa tela,
O toque cor-de-rosa que teu céu dissolve.

Realce.

Era teu sorriso
Era o segredo
Era de brinquedo
De todo, impreciso

Foi sem pretensão
Tá na contra-mão
Há uma indagação
Por vir sem aviso

Lia um verbo belo
Via o amarelo
Dentre tanto cinza
E tanta confusão

Por que não é fato
Não se sabe exato
Faltou a permissão
Deste coração.

Sanhaçus na janela.

Sanhaçus em minha janela
Me atraem com seu cantar
Típico da ave mais bela
Que me visita hoje em par

Os planos, já esquecidos,
Para o dia que guardei pra mim
Estão agora embebidos
De felicidade sem fim

Nos olhos, um ponto de luz
Saudade no coração
A mente, memórias produz
Guardando a bela canção

Não há outra mais encantada
Esperando surpresas azuis
Como a visita inesperada
Daquele par de sanhaçus

domingo, 27 de julho de 2008

Intangível.

sinto que falta combustível
como o ar, invisível,
e no entanto, essecial

falta uma inspiração para a poesia
que me faça, com maestria,
encontrar aquele verso final

nos lugares costumeiros
já cansei de procurar
não sei se inspiração ou verso,
e tudo aquilo que não está lá

não precisa ser tangível,
palpável, tocável
é só beirar o imaginável,
como os cachos dos meus cabelos.
feliz, renovada e recomeçando a escrever.

terça-feira, 3 de junho de 2008

qualquer.

ando afastada e sem inspiração
faço alguns milhões de poemas
todos sem conclusão

olho na janela e o que vejo?
o despertar de todos os amanhãs
me agarro a fé de qualquer ensejo
para manter as idéias sãs

a verdade é que já não me importa,
apesar de que deveria,
essa grande teia de idéias mortas.


terça-feira, 29 de abril de 2008

Verso em cores

A cor é lúdica
Ilude
É luz, ilusão
Ilustrando a poesia,
Que se faz em cor no meu coração.

Carol Pedrosa

domingo, 27 de abril de 2008

Oitavas.

O samba nasceu em mim
Sem nenhum esforço ou pesar
Invadiu meu coração tão assim
Como o rio que invade o mar

Subindo, correndo, aquecendo
Mesclando-se ao sangue das veias
Despertando puros sentimentos
Nas noites de luas mais cheias

Dispensando toda e qualquer métrica,
Vou deixando o samba fluir
Quero mais é pandeiro e cuíca,
Que, chorando, me fazem sorrir

Só sinto o que faço ou desfaço
Em prosa, verso ou rima
O que construo ou desenlaço
Uma oitava abaixo ou acima.
Carol Pedrosa

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Meu Barquinho


Por mares tempestuosos
Meu barquinho, sozinho, navega
Ímpar, intrépido, sem medir esforços
À correnteza se entrega
Temo pelo meu barquinho
A ponto de que, se pudesse,
Exerceria sobre ele meu domínio
Para que tormentas não mais tivesse
Não precisou muito pra minha alegria
Aquele céu bonito, que já em festa surgia
E ao meu barquinho, alguém pra cuidar
Para o meu sossego, a tempestade finda
A calmaria chega, bem-vinda,
E ao seu porto seguro, meu barquinho há de voltar.



Carol Pedrosa

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Atemporal

Cai a chuva lá fora
Aqui dentro, temporal
Nada além de fé e a incrível capacidade de imaginar

E acordar, e lamentar

Pudera, não escuto mais nada além destas canções tristes
Ecoam alto, abafando o som que vem de dentro
Temporal

Queria ouvir de novo o quebrar da onda
O som dos passarinhos
Sanhaçus, bem-te-vis
Bem-me-querem
Ah, como eu os quero, aqui dentro,

Temporal


É quando a chuva pára,
O sol escorrega pelas frestas da janela
E eu volto aos meus devaneios no papel
Mas aqui dentro...



Carol Pedrosa

domingo, 13 de abril de 2008

não tenho pressa, espero você ficar de joelhos e dizer que jura que esse beijo não é traição, que pode ser o início da minha cura.



[acústicos & valvulados - a minha cura]

quarta-feira, 2 de abril de 2008

soneto de desapego.


encontro-me entre desencontros e desencantos
perco-me entre desamores e desacertos
desabafo quase que aos prantos
desafio o coração ao esquecimento.

subtraindo desafetos,
multiplicando devaneios.
desespero na tua ausência
desarticulo meus anseios.

acreditei-te o ideal.
em seus trejeitos e desadornos,
o despertar da velha chama

desperdicei beijos e afagos
para desistir, afinal
da atenção do que não ama.
Carol Pedrosa

domingo, 30 de março de 2008

Quintana me desenhou nesse poema.



O Auto-Retrato - Mário Quintana


No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Terminado por um louco!